Critiques culturelles

Regards et Voix des Jeunesses Brésiliennes


Protagonisme, Durabilité et le Chemin vers l’Agenda 2030
Mara Rute Lima Hercelin
Éditions CEAEDD, Paris, 2025 – 280 p.
ISBN 978-2-82488-6600-2

Resenha – Equipe de Crítica Literária

A cinco anos do prazo final da Agenda 2030, a COP30 no Brasil coloca o país sob os holofotes globais. É nesse exato timing que a pesquisadora baiana Mara Rute Lima Hercelin lança Regards et Voix des Jeunesses Brésiliennes, um livro que não se contenta em diagnosticar – propõe um novo contrato intergeracional.A obra nasce de sua dissertação de mestrado na FLACSO-Argentina e ganha corpo em Paris, sob o selo do Centre d’Études Avancées en Éducation et Développement Durable (CEAEDD). O resultado é um texto acadêmico que flerta com o ensaio político e, em momentos, com a carta-manifesto.O que há de novoHercelin parte de uma premissa simples, mas raramente executada com tanta consistência: a juventude não é coadjuvante da sustentabilidade – é protagonista inevitável.
Ela costura três linhas de força:

  1. História intelectual do futuro – de Aristóteles a Milton Santos, passando por Brundtland e Sachs.
  2. Crítica cultural – a “sociedade do espetáculo” (Debord, Baudrillard, Han) como armadilha do ativismo performativo.
  3. Realidade brasileira – estudos de caso da FLACSO, CEPAL, Sposito e Dayrell, com foco em periferias, semiárido e coletivos indígenas.

O capítulo sobre a “sociedade do espetáculo” é o mais afiado: a autora mostra como o ativismo de Instagram pode virar narcisismo verde – e, ao mesmo tempo, como redes sociais seguem sendo o único megafone acessível a milhões de jovens sem partido ou sindicato.Pontos de tensãoO livro não oferece números. Não há um único indicador de impacto juvenil em políticas públicas ou redução de emissões. Isso é escolha deliberada – Hercelin quer inspirar, não auditar. Funciona como manifesto, mas frustra quem busca evidências concretas.A repetição de ideias entre capítulos (o “protagonismo” aparece em três variações quase idênticas) poderia ter sido podada. O texto ganha em paixão o que perde em concisão.O que ficaA carta às juventudes de 2030, no epílogo, é o momento em que a acadêmica cede lugar à educadora. Frases como “vocês nasceram entre ruínas, mas carregam a beleza de reconstruir” não são retórica – são convocação.E a antecipação do Acordo de Belém – ainda fictício em novembro de 2025 – é um ato de ousadia política. Se a COP30 de fato produzir um pacto com a juventude no centro, este livro terá sido profecia.

Para quem

  • Professores de ciências sociais e educação ambiental.
  • Gestores públicos que ainda tratam juventude como “público-alvo” e não como parceiro.
  • Jovens ativistas que precisam de referencial teórico sem perder o fogo.

Avaliação: 4/5

Um livro que pensa o Brasil a partir do mundo e o mundo a partir do Brasil. Na prateleira da sustentabilidade, senta-se ao lado de Sachs e Santos – mas com sotaque de Salvador e olhar de quem já esteve na linha de frente.

Citação para guardar:
“A culpa paralisa. A responsabilidade, quando partilhada, move montanhas.”

Mara Rute Lima Hercelin não escreveu um relatório. Escreveu um chamado. E, em 2025, é exatamente disso que precisamos.

Baixe o livro gratuitamente aqui! https://hal.science/view/index/docid/5356068

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